domingo, 29 de dezembro de 2019

[ANÁLISE] Gargoyle's Quest II - The Demon Darkness


Qual a primeira coisa que vem a mente, quando se fala em jogos 8 bits? Pulos duros? Dificuldade insana? Frustração? Na época do NES, devido ao espaço limitado de cartuchos, diversos jogos apelavam para uma dificuldade alta, compensando o quão curtos eram.  Uma era em que máquinas de arcade comiam as fichas de jogadores de Ghost 'n Goblins.

Em meio a isto tudo, a Capcom criou a série Gargoyle's Quest, focando nas aventuras intrepidas do capeta vermelho, aquele mesmo que fica dançando e zombando do cavaleiro Arthur.  O primeiro jogo da série saiu para Game Boy e apesar de ideias boas, tipo algumas mecânicas de RPG e um level design focado em escaladas e voos, sua curva de dificuldade era obscena e injusta.

Em 1992, apesar do lançamento do Super Nintendo, o NES ainda se manteve popular e Gargoyle's Quest II era lançado. Um jogo que conta os acontecimentos antes do primeiro jogo, mas será que  Firebrand conseguiu sua chance de redenção? É o que veremos!


GLORIOSO INFERNO 8-BITS


Um dos pontos positivos deste jogo está em sua direção de arte bem feita. Pois, apesar de ser um jogo 8-bits, este não demonstra sinais de envelhecimento intensos tipo como Super Mario Bros, no qual visual e mecânica já ficaram obsoletos. Não que SMB seja um jogo ruim, mas ele parece algo mais rústico quando comparado a GQ2 e SMB3.

Os backgrounds e foregrounds deste jogo são bem bonitos e isto é fantástico, ainda mais para um jogo de NES, onde o espaço limitado dos cartuchos era um baita empecilho. Depois de quatro jogos de Mega Man, era esperado que a Capcom soubesse a utilizar a paleta de cores limitadas do hardware ao seu favor.



ANTES DO ADVENTO DE DANTE



 O enredo é bem simples, e se passa no reino dos Ghouls (criaturas que aterrorizam Arthur e sua namorada), o qual fora atacado pela misteriosa luz das trevas. Cabe ao guerreiro de Etruria, Firebrand, viajar pelo continente e acabar com toda esta putaria. A jornada se foca na evolução do protagonista, até sua transformação de lendário demônio Vermelho Flamejante.

A jornada é bem simples, não tem muito plot twist e é bem básica, mas isto não tira seu mérito, é uma história decente com alguns pontos interessantes.  

"Antes do Dante existir, Red Blaze e seu descedente precisaram salvar o "inferno" duas vezes. E quando triunfaram, fizeram demônios imponentes chorarem." - In Lacrimas, Diabolos


ABISMOS E ESPINHOS



O objetivo principal de Firebrand é salvar o reino dos Ghouls. Para isto, ele precisa adquirir informações e itens com NPCs espalhados por diversas cidades e passar fases cabulosas que fariam o capeta chorar sangue e raiva.

Olhando pelo lado bom, maçãs e itens aleatórios não vão tentar te matar, são só espinhos e pulos irritantes. Nada de trolladas toscas e retardadas aqui neste jogo. I Wanna Be The Guy nunca foi uma piada engraçada.

Como eu disse anteriormente, o  jogo é dividido em duas partes. Na parte de exploração, basta andar pelo mapa, falar com NPCs em diversas cidades para saber onde ir.  Na questão das fases, cada uma delas tem algum checkpoint invisivel e um chefe no final. 

Falando sério, as fases não são tão difíceis, é uma questão de aprender as mecânicas de escalada, voô e tipos de tiros que nosso amigo avermelhado ganha no meio de sua jornada. Comparado ao primeiro jogo da série, o desafio aqui é mais justo e se mantém consistente até o fim da jornada. É importante sempre ficar de olho na barra de voô, pois se ela acabar, nosso anti-herói cai feito uma pedra e tem um fim bem desastroso.  

O jogo ainda conta com um sistema de "save".  Toda vez que Firebrand dá game over, ele volta da última senha que pegou. Então, caso não queira perder progresso, sempre encontre os NPCs com passwords espalhados pelas cidades.




O interior das casas em Gargoyle Ques...não pera...

Um ponto negativo das cidades é que elas são bem vazias. A arquitetura das casas são todas bem parecidas. Pelo visto, não existem muitos arquitetos competentes em Ghoul Realm, mas tudo bem, este jogo é de  1992, então dá para relevar estas falhas. Diferente de um outro jogo, mas isto é assunto para outro texto.

No geral, só tem um ponto bem ruim de dificuldade no jogo. Antes de chegar ao deserto, Firebrand precisa atravessar um abismo gigantesco. Para poder voar e chegar a tempo, ele precisa fazer um pulo quase que pixel perfect até o outro lado. Um pulinho bem cabuloso que me matou mais de mil vezes. Mas tirando isto, os controles são bem fluídos para um joguinho de NES. 


AS BELAS MELODIAS DE GHOUL REALM



A trilha sonora deste jogo é ótima. Apesar de repetitiva como a maioria dos jogos de NES, ela tem uma vibe meio sombria e épica, ao mesmo tempo, que complementa bem com a jornada de Firebrand de se tornar O Vermelho Flamejante.  Mas uma música em especial se destaca na trilha sonora toda...


Por algum motivo, esta música lembra muito Mega Man, mas talvez seja porque o jogo foi feito pela Capcom.  Meu forte não é música, então não vou me alongar neste tópico. Apenas digo uma coisa: não esperava que o inferno tivesse uma música tão boa.

VEREDICTO INFERNALE


Gargoyle's Quest II não tenta reinventar a roda, mas seu level design competente, trilha sonora boa e jogabilidade solta o destacam da concorrência, comparado a concorrência.  Diferente de seu primo, Ghost'n Goblins, a dificuldade nunca é algo intimidador e injusto ou que dependa de sorte.  Depois de jogos tão bons de Mega Man para o NES, a Capcom se superou e está de parabéns. 

Este é um jogo de Nintendinho que recomendo fácil, mas já deixo uma coisa clara: ele não é um passeio no parque. É dificil, frustrante, mas dificilmente injusto. Alguns poucos tropeços de dificuldade são cometidos, mas eles não comprometem tanto a experiência. 

PROS:
- Jogabilidade menos travada, comparada a outros jogos de NES;
- Dificuldade alta, mas não impossível, injusta ou troll (cof cof Cat Mario cof cof);
- História simples, porém, funcional;
- Trilha sonora boa;
- Um dos jogos mais bonitos do Nintendinho;

CONTRAS:
- Um chefe em especifico é injusto e tem uma parte do jogo que exige um pulo bem preciso, quase pixel perfect;


Nota : 8.5/10

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